Brasília, 4 de março de 2026
Não é sobre gostar ou não de um ministro. Não é sobre direita ou esquerda. É sobre uma coisa básica: confiança. E quando a confiança quebra, a democracia vira um jogo em que o cidadão sempre perde. Até porque, no fim, a conta sobra para quem trabalha, paga imposto e precisa de instituições previsíveis para viver em paz.
Nas últimas semanas, o país assistiu a mais um capítulo de um roteiro conhecido: revelações, suspeitas, vazamentos, versões “em off”, investigações que se expandem sem fim e uma sensação crescente de que as regras mudam conforme o personagem. Só que, agora, temos uma novidade: após anos de conivência, a grande mídia dá sinais de estar acordando de sua letargia diante das ações do Supremo Tribunal Federal. O “culpado” por tamanha proeza não poderia ser outro: o caso do Banco Master.
Realmente é um episódio difícil de ignorar: supostas relações dos juízes com o banqueiro Daniel Vorcaro; pagamentos que somariam R$ 35 milhões para empresa ligada à família de um ministro; contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa de outro. Fatos assim, reais ou apenas suspeitos, exigem transparência máxima. Até porque, também se noticiou que ministros passaram a desconfiar uns dos outros, com recados anônimos à imprensa e atritos internos.
A cada notícia, cresce a pergunta que ninguém consegue responder com tranquilidade: quem fiscaliza o fiscal? Quem define o limite quando a instituição que deveria guardar a Constituição é acusada de exceder seu papel?
A Constituição desenhou freios e contrapesos por um motivo: impedir que qualquer Poder vire um trem desgovernado. Se há suspeitas que atingem a imagem do Supremo, a resposta não pode ser silêncio, medo de reação ou cálculo político. O que está em jogo não é a reputação individual de cada ministro, mas o pacto de confiança que permite ao cidadão acreditar em um processo legítimo e imparcial.
Eu me recuso a aceitar que questionar limites vire tabu e seja tratado como ameaça. Há anos, milhões de brasileiros gritam por providências, e depois de 2022 isso virou um ponto de ruptura, ficou insustentável. Nem a grande mídia, que por tanto tempo fez vista grossa, consegue mais se fingir de indiferente.
O caso do Banco Master escancarou o tamanho do nosso abismo institucional e é indefensável continuar empurrando com a barriga. O Senado é a única instituição com prerrogativa e peso político capaz de dar uma resposta à altura: colocar em votação, sem medo, os pedidos de impeachment contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. É questão de coragem! Se as coisas continuarem assim, a única liberdade que restará dentro da nossa “democracia” será a do STF para escolher seus próximos alvos.
Luis Carlos Heinze