Produção, reconstrução e resgate das instituições: o alicerce para o ano da virada

Brasília, 12 de dezembro de 2025

Escrevo este último artigo do ano com a mesma convicção com que percorri todo o Rio Grande em 2025: o ano foi duro, mas também de luta intensa para que o produtor rural, o trabalhador e as famílias atingidas pelas enchentes não fossem abandonados pelo poder público. Em Brasília, cada votação, cada reunião e cada pressão feita ao governo tiveram o objetivo claro de dar condições reais de retomada ao nosso estado e devolver previsibilidade a quem produz.

A crise no campo foi, sem dúvida, o centro dessa agenda. Desde o início do ano, tenho cobrado uma solução ampla e definitiva para as dívidas dos produtores gaúchos, que se acumulam desde as perdas por estiagens e pelas enchentes de 2023 e 2024. Apresentei o PL 320/2025, que autoriza a renegociação de débitos de agricultores atingidos por eventos climáticos por meio da transformação dessas dívidas em títulos garantidos pelo Tesouro, com condições especiais de pagamento. Ao mesmo tempo, atuei diretamente na construção da MP 1.314, que abriu espaço fiscal e destinou recursos para a renegociação rural, em diálogo com o Ministério da Fazenda, o Conselho Monetário Nacional e as entidades do agro.

Ao longo dos meses, deixei claro ao governo que não basta anunciar cifras em coletivas de imprensa enquanto a burocracia dos bancos trava o acesso ao crédito e apenas uma fração dos recursos chega na ponta. Tenho insistido para que a renegociação alcance de fato os produtores mais atingidos, incluindo a safra 2024/25, e para que as exigências de garantias sejam compatíveis com a realidade de quem ficou sem lavoura, rebanho e estrutura produtiva. Sem esse fôlego financeiro, não há próxima safra, não há emprego no interior e o Brasil perde competitividade exatamente onde é mais forte: no campo.

A defesa da renegociação das dívidas caminha junto com a reconstrução do Rio Grande do Sul. Depois das maiores enchentes da nossa história recente, trabalhei para garantir a participação definitiva da União, com liberação de R$ 6,5 bilhões para retomar obras de prevenção que estavam paradas há anos.

Infraestrutura, aliás, não é luxo: é condição básica para destravar o potencial produtivo do nosso estado. Ao longo do ano, tratei de rodovias, hidrovias, aeroportos, novas frentes de investimento e projetos que podem baratear o escoamento da produção agroindustrial e aproximar ainda mais o Rio Grande do Sul dos mercados nacional e internacional.

Mas não há desenvolvimento sem segurança jurídica e respeito às regras do jogo democrático. 2025 também foi um ano em que se aprofundaram os debates sobre os limites entre os poderes e o avanço do ativismo judicial no Brasil. Tenho me posicionado claramente contra decisões monocráticas que reescrevem leis aprovadas pelo Congresso e contra a contaminação político-partidária de instituições que deveriam ser guardiãs imparciais da Constituição.

Defendo uma agenda conservadora, que respeita a família, a liberdade de expressão, o direito de propriedade e o papel do Parlamento como casa da representação popular. Isso inclui, por exemplo, questionar abusos, criticar prisões e decisões de exceção, e cobrar coerência quando o peso da lei recai com mais força sobre uns do que sobre outros. Não se trata de proteger culpados, mas de garantir que a Justiça não seja seletiva e não se transforme em instrumento de perseguição política.

Olho para 2026 com a certeza de que será um ano de virada. O Brasil e o Rio Grande do Sul terão a oportunidade de corrigir rumos, fortalecer quem produz, colocar de pé um plano consistente de reconstrução pós-enchentes e retomar a confiança nas instituições. As batalhas de 2025 – na renegociação das dívidas, na defesa de obras estruturantes, na cobrança por respostas rápidas ao sofrimento das famílias e na resistência ao ativismo judicial – não se encerram com o calendário. Elas são o alicerce do que precisamos construir daqui para frente.

Seguirei fazendo a minha parte, em Brasília e nos municípios gaúchos, com a mesma disposição de sempre: ouvir as pessoas, enfrentar os problemas de frente e trabalhar para que o Rio Grande do Sul volte a ser sinônimo de produção, segurança, oportunidades e esperança. A luta continua, tchê!

Luis Carlos Heinze

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