Nos últimos dias, caminhar virou verbo político. A atitude do deputado federal Nikolas Ferreira, que realizou uma peregrinação de 240 km entre Minas Gerais e Brasília, foi mais do que um fato isolado no calendário de 2026.
A Caminhada pela Liberdade virou um símbolo: a direita brasileira continua viva, organizada e capaz de transformar indignação em presença nas ruas. O nível de engajamento alcançado pelo ato provou que nem a perseguição judicial, política e midiática sofrida pela ala conservadora será capaz de calar as vozes daqueles que verdadeiramente acreditam no Brasil.
Como não poderia deixar de ser, participei do ato final da caminhada em Brasília. Faço questão de estar presente, seja no Rio Grande do Sul, em São Paulo ou na capital federal. E continuo mobilizado porque me recuso a ser um mero espectador do que vem acontecendo. O meu senso de responsabilidade – como um cidadão que ama o seu país e senador da República – não permite.
Com o slogan “Acorda, Brasil”, o movimento iniciado por Nikolas reflete um sentimento nacional que se acumula há anos e atingiu o auge após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro: a balança entre os Poderes pendeu demais para o Supremo Tribunal Federal, e a Justiça agora atua como protagonista no cenário político. Não é à toa que a abertura de uma CPMI para averiguar, de fato, a extensão do escândalo financeiro do Banco Master tenha sido uma das pautas centrais da mobilização.
O inquérito do Master está no STF e, em meio às investigações, veio à tona um contrato de cerca de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, para serviços de “consultoria” pouco detalhados. Além disso, a condução do caso por Dias Toffoli tem sido errática e, aparentemente, favorável aos acusados da fraude bilionária. No mínimo, estamos falando de conflito de interesses e uso assimétrico do Poder Judiciário.
É importante ressaltar que há inúmeros pedidos de impeachment contra ministros do Supremo no Senado Federal. Eu sou autor de alguns e admito que a falta de prosseguimento a essas solicitações coloca a nossa Casa em uma situação muito delicada, especialmente porque o momento não pede timidez, mas firmeza para reequilibrar a balança. E o Brasil clama por essa normalização, assim como clama por justiça e liberdade.
Movimentos como a caminhada de Nikolas são um lembrete de que os únicos atores supremos da nossa democracia são os cidadãos brasileiros, não as togas. Pessoas mobilizadas por dias, em torno de pautas específicas, sinalizaram claramente para as instituições que é necessário acordar da letargia diante do avanço desenfreado do Judiciário. O povo brasileiro acordou e deu o seu recado. Agora, cabe a nós responder à altura.
Luis Carlos Heinze